sábado, 5 de março de 2011

      
         Antes de começar queria pedir desculpas, não foi um ato de extrema loucura, foi um ato de desespero.Levantei de manhã e segui meu longo percurso do dia, mas levitando. Parecia estar caminhando sobre pontas de vidro sob o chão, meus pés pareciam querer sair daqui. O dia foi terrível muita chuva, frio e ainda quando voltava da escola um homem mexeu comigo. Foi triste me senti vulnerável, e muito sozinha. Tá aí um dos motivos pelo qual eu fiz isso. Me sinto só a todo tempo, e comecei a reler, escritos de antes. Doze anos, treze anos.. sempre me senti assim, não sei bem o que é.
         Cheguei em casa, e ouvi as mesmas palavras bruscas, e pratos atirados ao chão. Garrafas pela cozinha, pratos sobrepostos no armário, todos sujos uma desordem. Fui ao banheiro, para não ouvir mais nada. Contudo nem mesmo as baratas que por ali passavam davam-me atenção. Lavei o rosto e tive que sair, o barulho e ranger de dentes estava me deixando louca. Cheguei no meu quarto, a mesma desordem de sempre. Fui para o mesmo lugar de sempre, mas antes escrevi uma carta, peguei uma lamina dessas que as pessoas usam para cortar cabelo. Estava até mesmo suja de sangue, meus pesares da noite passada já tinham escorrido e sido secados por minhas toalhas, marcadas com minhas dores.
         Cortei os pulsos. O sangue escorria com as lágrimas e minha vida passava pelos olhos, corri até a pia e não parava de sair sangue. Queria mesmo morrer, mas quando fiquei diante da morte, implorei para viver. Não conseguia fazer parar, tive que sair mesmo correndo dali, mas algo me fazia enfraquecer. Acordei no hospital com pessoas a minha volta e as mãos costuradas. Eu não sou louca, não sou. Só estava triste e queria morrer. É uma tristeza tão profunda que meu corpo estremece de lembrar, todos estão aqui. Porem nem um pouco preocupados.
         Isso é um ciclo vicioso, nunca mais terá fim.
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