domingo, 20 de maio de 2012

Giselle, dois.

                Dançamos cada uma por si, 18 bailarinas ao som o piano que dona Tina tocava, quando chegara minha vez de fazer o solo, já não me aguentava de tanta ansiedade, não coloquei ponteira, não amarrei as fitas.. Dancei com os pés sangrando, e sentindo a minha unha 'ralar' na sapatilha amolecendo pra cair, mas eu não ligara, só queria dançar, pra provar que seria capaz.
Rachel então passou por mim e murmurou:
               __ Dizem que a preferida de Ms. Dunne é a Cris, que nenhuma de nós temos chance Lindsay.
__ Mas como?
__ Elas têm um caso.
                 Fiquei atordoada quando esperávamos as outras meninas a se trocarem. Como pode Ms. Dunne..  ela era três anos mais velha que Cris, e todas as bailarinas de nossa academia eram apaixonadas por ela. Ela tinha pele branca, rosto sardento, e composto por uma bela simetria, um par de olhos azuis e cabelos sempre presos de modo que, a cor -vermelho- ficasse sempre em evidência. Ela tinha uma postura ereta, uma flexibilidade inalcançável, e uma postura digna. Ela tornou-se professora, depois de um acidente, fazendo com que sua carreira findasse assim. Mas era feliz e grata a todo instante por ter uma academia tão bela como essa.
                 Cheguei em casa, joguei a bolsa de lado. Tirei o sapato pra mergulhar meus  pés machucados dentro de uma bacia com água morna. Um dia exaustivo, mas começava a nevar, e eu precisava de lenha pra lareira, coloquei o casaco calcei as botas, e fui. Havia neblina, estava atravessando a rua, quando um carro quase passou "em cima" de mim.
__ Babaca! não vê por onde anda?
__ Calma senhora, não era a minha intenção! contudo, você estava atravessando correndo.
Lindsay era orgulhosa que nem a mãe, que perdera num acidente assim ficando órfã, já que o pai nunca tinha aparecida em sua vida. Era solitária, exceto pelo ballet que a completava.
Continua.

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