quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Covil
Queria ficar, a noite fria escondia minha vida com a chuva, tudo jogado, misturado e afugentado. Talvez eu seja o emaranhado de sentimentos alheios, ou de seus restos. Corvos, gralhas, rodeiam-me a face e o corpo, são como amigos cuidando para que eu chegue bem. Para que eu seja imune as dores do mundo, devo esquecer que existo. Eu não preciso de nada, nem mesmo de carinho, sobrevivo somente com essa brisa fria que me enrubesce entrando pela janela. Minha pele fica rígida, como se alguém estivesse tocando-a, sinto um cheiro no ar que parece o teu perfume.. mas não, era somente o orvalho da manhã nas árvores ao meu redor. Estou precisando sentir algo, mas antes quero sentir-me aqui, e composta por pessoas. Não quero me despedaçar, fugir, sentir frio. Quero calor, fervor, vida, paz. Vou embora dessa guarida, que me prendem até o fim, que sufocam-me. Que estão a me enclausurar. Adeus! o chale está apitando, meu café já está esfriando. E eu vou sentar-me a luz de velas, para toma-lo com meu ego, e esquecer tudo que quero.
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