segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Maria, Ana e Laura.

Eu e Maria brincávamos no caminho da escola para casa, foi quando ela falou me espere, por que estava atraz de mim. Eu sorri e disse : “você quer me enganar”, quando andei mais e não mais ouvi os gritos de “me espere” de Maria, percebi que ela estava caída no chão, corri até ela e tuas narinas sangravam, e eu não sabia o que fazer, primeiro liguei pro Jorge, o pai de Maria, o telefone dele sempre esteve anotado na mochila dela. Ele em disparada chegou e colocamos  ela no carro, eu chorava compulsivamente, e o tio , corria em direção ao pronto socorro, nada foi muito explicado pra mim, enfim, tinha onze anos e não entenderia. Só me disseram uma palavra : Leucemia, eu entendi que ela estava muito doente, não teria muito tempo pra se recuperar, e não poderia ir pra escola. Em casa ouvia minha mãe dizer :“É leucemia, igual à novela, a Camila…”, eu me lembrei de quando essa menina da novela, raspou a cabeça, ela chorava tanto, pensei será que ..maria tão linda com seus cabelos ruivos, e tua pele sardenta, terá que raspar a cabeça? e decidi com minhas preces antes de dormir, se ela precisasse, eu iria também raspar, amigas são pra sempre, até pra momentos turvos como esse. Quinta, dia 24 mamãe foi conversar com a tia Laura mãe de Maria, ela bem disse: ” Marquei com o dr. Fausto, e ele nos disse para procurar um hematologista e fazer um hemograma completo. À tarde, levei-a para fazê-lo, e estamos esperando a resposta.” Mamãe passou a mão em meus cabelos, e não soube o que dizer pra tia Laura, somente a abraçou. Sabado 26, pegaram o resultado e era mesmo leucemia, eu estava tao preocupada com Maria, queria tanto estar segurando sua mão, queria tanto o seu sorriso e que ela corresse de mim no recreio. 
Na sala ouvi a mãe de maria explicando como seria a quimioterapia.. ” Ela começa dia 29, os médicos disseram-nos que serão dois saquinhos, um vermelho e um azul, e fará a troca de sangue, porem, temos que achar algum doador compatível, embora tenham doadores, não achamos  do tipo de sangue dela, é raro e não sabemos quem tem O-, estamos apreensivos até esse dia, se não conseguimos podemos perder a vaga dela aqui.” Mamãe logo se ofereceu, e doou medula para ela, senti orgulho da minha mãe, cada vez mais. Chegou o dia da terceira quimio, e depois dela eu poderia ver  Maria. 
__ Oi minha amada! quanta saudade senti de você ! você ficará bem logo logo, eu te amo muito e estou sentindo sua falta quando volto da escola, e nos finais de semana, estou voltando sozinha e é muito triste não ter você comigo.
__ Minha amiga, que bom você veio! não se esqueceu de mim! eu também sinto sua falta aqui no hospital só ouço gritos por isso durmo o tempo todo pra não ouvi-los de mais.
_É melhor que elas fiquem a sós - sussurrou mamãe -.
__ Quando você tera que raspar o cabelo?
__ Minha mãe já ia agora mesmo fazer isso, estávamos nos preparando, por que?
__ Porque.. eu também vou , cortar o cabelo, pra ficarmos iguais, mesmo que você não queira ou minha mãe não deixe, vou estar com você , mesmo que sejamos pequenas, eu entendo como é o “para sempre” que somos amigas.
__ Mais Ana, não precisa! eu te amo mesmo sem cabelos, e você com. Mesmo, não me importaria.

__ Sem mais Maria! eu vou fazer isso, por que eu te amo. 
A tia Laura foi para cortar o cabelo dela e ela começou a chora, segurou minha mão e a apertava tão forte que minha circulação ficava presa..eu sabia daqui um pouco eu também iria cortar. Acabou! disse a mãe dela.Peguei a maquina e passei pelo lado direito, sem que ninguém visse, depois peguei a tesoura e comecei a corta-los, minha mãe viu e ficou espantada.. me perguntou :
__ Filha! para que rapar a cabeça?
__ Por que eu tenho uma amiga que está careca, e eu não me importo de ficar também para fazê-la feliz. Assim ela perceberá que eu também estou careca, e não se sentira ainda mais sozinha.

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