segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pai (1)

 Manhã do dia 24 de outubro de 2006, quarta feira o dia estava ensolarado, tomei banho e resolvi ir de cabelo preso para a escola, Andressa passou aqui, eu como sempre atrasada tomando o meu café da manhã no carro do vô dela, “tio Francisco” ou mesmo vô. Chegamos à escola prova e matemática droga precisava de uma boa nota e não havia estudado, meu pai estava no hospital, e eu tive que ficar com ele até as onze da noite, e não deu pra estudar, ele estava mesmo muito ruim, nem ao menos me reconhecia como sua filha. Fiz a prova, acho que tinha me saído bem, sai da escola as onze emeia dei um beijo em meu “amigo” e fui pra casa, a Andressa já estava me esperando, eram muitas escadas até a saída e eu era lenta..rs. Cheguei em casa, minha madrinha logo disse, melhor que você não vá cuidar de seu pai hoje, estude, amanhã você vai, tudo bem? Eu disse que sim enfim precisava estudar, no dia 26 teria prova de historia e mesmo que eu gostasse precisava estudar, não sabia nada, nada mesmo, no hospital não dava mesmo pra estudar. Onze e meia da noite ufa, havia acabado de estudar, e fui me deitar, eu nem comi por que eu estava com sono..o telefone tocou, eu nem quis ouvir..adormeci.
Três horas da manhã, um clarão, um aperto no peito, eu essas palavras faldas da boca da Nalú:
__ Carol, acorde..acorde. (esfrego os olhos e..)
__Que foi nalú? Eu tenho prova de manhã, mas tarde eu arrumo.
__Carol…
__Que foi? (levanto, esfregando os olhos)
__Carol, teu pai morreu!
__O que? Mas..ele ..ele.. ah não! Ele iria ficar bom ele iria..eu não acredito não mesmo..Cadê meu pai? Cadê o MEU pai?
Recebi um abraço, levantei, caminhei pela sala, todos chorando, toda a família ali, há muito tempo não à via tão reunida. Liguei pra minha mãe, pra minha amiga e a avisei que não iria pra escola. Fui pro meu quarto, nenhuma lágrima havia escorrido, foi quando..a mala do hospital chegou, suas roupas teu cheiro, tuas coisas, seu óculos..sua bíblia, suas camisas sapatos. Agarrei uma blusa e fui chorar na cama, rodava, gritava, e nunca acreditava que ele tinha morrido. Fui pro velório… Criei coragem para entrar, consegui, mas..quando o vi  no caixão, foi uma dor indescritível, meu pai..meu porto seguro, minha fortaleza não, estava aqui e..eu não podia fazer nada. Nunca queiram sentir isso. Quanto mais gente chegava, mais eu chorava, mas eu não conseguia entender tal dor. Minhas amigas, Andressa, Amanda, Jani, Lenita foram lá e me distraíram, comi algo..e voltamos pra lá. Os amigos do meu pai, policiais, delegados..todos estavam lá. Eu deixaria todos que estavam lá por meu pai.
Por que eu não fui ficar com ele aquele dia? É o meu maior arrependimento da vida, tive que crescer tive que  aprender tudo tão sozinha, tive que..aprender a me defender sozinha. Quando ouvi o caixão descendo queria jogar-me com ele, mas minha mãe não deixou.. mas eu queria ele somente ele! Bem hoje estou aqui , fazem quatro anos disso tudo, estou bem, as vezes tenho recaídas, e fico mau, porem não mais como antes , mais  há dias que a saudade estoura no meu peito. Hoje a saudade está dolorida, estou sozinha.. e queria somente um abraço..do meu pai.. Pedro.

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